O Projeto

O e-cuidaDOR₂ tem como objetivo avaliar a efetividade e a implementação de uma nova intervenção multicomponente, que combina tecnologia de IA inovadora e formação comportamental baseada na evidência, para melhorar a gestão da dor em Pessoas com Demência que não comunicam verbalmente, em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas.

Enquadramento

O contexto

De acordo com o estudo elaborado pela Alzheimer Europe (2025), estima-se que em Portugal existam cerca de 240.000 Pessoas com Demência.  Em 2050, serão 367 807 (The Prevalence of Dementia in Europe 2025, Alzheimer Europe).

A dor: um dos sintomas mais comuns

Uma revisão sistemática de 25 estudos em lares de idosos revelou que 10% a 80% das Pessoas com Demência sofrem de dor aguda ou crónica significativa, sendo que as pessoas com demência moderada ou grave apresentam uma prevalência mais elevada (Helvik, 2023). Cerca de 70% das pessoas com BPSD sofrem de dor não reconhecida pelos profissionais (Atee, 2021).

Em Portugal, um estudo realizado em 135 doentes hospitalizados com demência avançada indicou que metade sentia dor (Louro, 2018).

A dor nas Pessoas com Demência é subestimada e subtratada (Achterberg, 2021), o que leva a um sofrimento evitável. Num estudo realizado em lares de idosos nos Estados Unidos, envolvendo 50 673 residentes, verificou-se que as Pessoas com Demência eram submetidas a menos avaliações da dor e recebiam menos tratamento farmacológico e não farmacológico em comparação com as pessoas sem demência (Nakashima, 2019). Uma revisão sistemática de 32 estudos indicou que às Pessoas com Demência que vivem na comunidade são prescritos menos medicamentos para a dor em comparação com os seus controlos correspondentes (Bullock, 2019).

Problemática

Barreiras à gestão da dor

01.

Sintomas comportamentais e psicológicos de demência (BPSD)

Os sintomas comportamentais podem sobrepor-se ou ser interpretados como manifestações da demência, levando à subvalorização e identificação tardia da dor.

02.

Lacunas no conhecimento

A insuficiente formação dos cuidadores formais limita o reconhecimento de sinais de dor e a aplicação de estratégias adequadas de avaliação e tratamento.

03.

Preocupações com a analgesia

O receio de efeitos adversos e interações medicamentosas em pessoas habitalmente polimedicadas pode levar à subprescrição ou uso inadequado de analgésicos, resultando em dor não tratada ou subtratada.

04.

Ferramentas complexas

A complexidade das ferramentas de avaliação dificulta a sua utilização consistente, levando a avaliações incompletas ou imprecisas da dor na prática clínica.

05.

Falta de acesso a diretrizes

A ausência de orientações padronizadas compromete a tomada de decisão, levando a abordagens inconsistentes e dificultando a avaliação e tratamento adequados da dor.

06.

Limitações de tempo

A pressão de tempo reduz a avaliação sistemática da dor e limita a monitorização contínua, aumentando o risco de não reconhecimento e tratamento inadequado.

Missão científica

O contexto

Avaliar a eficácia e a implementação na prática de uma intervenção multicomponente para o tratamento da dor em Pessoas com Demência que não comunicam, em instituições de cuidados residenciais, incluindo uma avaliação económica.

O e-cuidaDORirá colmatar lacunas de conhecimento relevantes a nível nacional e internacional e fará avançar o estado da arte através do desenvolvimento e teste de uma intervenção abrangente para o tratamento da dor nesta população vulnerável.

A abordagem combina teoria, evidência e uma tecnologia inovadora que utiliza reconhecimento facial baseado em inteligência artificial para detetar microexpressões faciais indicativas de dor, integrando-as com outros indicadores comportamentais.

Espera-se que o e-cuidaDOR₂ melhore a qualidade de vida das pessoas com demência e os cuidados prestados nestes contextos.

O projeto e-cuidaDOR₂ iniciou-se em julho de 2025 e tem a duração de 36 meses.

A ficha do projeto pode ser consultada aqui